Cid guardava no celular apresentação com interpretação golpista da Constituição

A Polícia Federal localizou no celular do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro na Presidência, prints de uma apresentação em PowerPoint que tratavam de uma suposta atribuição das Forças Armadas para garantir o “livre exercício dos Poderes da República”. Os prints estavam armazenados no celular de Cid, no qual também foi encontrado uma espécie de estudo para a efetivação de um golpe de Estado, debatido pelo WhatsApp com outros oficiais do Exército.


A PF obteve os arquivos após apreender o celular de Cid no início de maio. Na ocasião, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro foi preso sob suspeita de inserir dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde. Na tarde desta sexta-feira, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo das mensagens de teor golpista encontradas no celular.


Os prints, segundo a PF, integravam uma apresentação intitulada “Projeto Interdisciplinar Segurança Integrada CCEM/2º ano”. Ao analisar as propriedades do documento, a perícia constatou que ele foi editado pela última vez em outubro de 2017.


Com a marca e o logotipo da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, um dos prints fala da função da Força de “garantir os poderes constitucionais”. “Significa a preservação da existência e, principalmente, do livre exercício dos Poderes da República (trecho destacado em vermelho no documento) – Executivo, Legislativo e Judiciário – de forma independente e harmônica”, diz o texto do PowerPoint.




Em seguida, o arquivo reproduz um trecho da Constituição que estabelece que a União só pode intervir nos Estados e no Distrito Federal para “pôr termo a grave comprometimento da ordem pública” e “garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação”.


Cid prestou depoimento à PF sobre essas mensagens na semana passada e optou por ficar em silêncio. Como revelou a colunista Malu Gaspar, do Globo, um dos documentos encontrados em seu celular previa a decretação de uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), com atuação das Forças Armadas, depois de Bolsonaro ser derrotado na eleição presidencial.


Ontem, a revista VEJA revelou mais detalhes dos documentos, que incluíam o afastamento de ministro do Supremo Tribunal Federal e uma intervenção militar no Brasil.


Em nota, os advogados Bernardo Fenelon e Bruno Buonicore, que representam Mauro Cid, afirmaram que, “por respeito ao Supremo Tribunal Federal, todas as manifestações defensivas serão feitas apenas nos autos do processo”.

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